quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fernando Nobre - o Cata-Vento

Legislativas

Nobre assume que só lhe interessa lugar de presidente da AR, PSD dividido

Fernando Nobre revela este sábado ao “Expresso” que se não “for eleito presidente da Assembleia da Republica” renuncia “imediatamente ao cargo” de deputado para o qual é proposto enquanto cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Lisboa. A escolha de Nobre é polémica no círculo político de Passos.

Nobre afirma confiar em Passos Coelho 
Nobre afirma confiar em Passos Coelho 
 
Esta posição, que já tinha sido vinculada pelo seu ex-director de campanha para as presidenciais, Artur Pereira, tem sido criticada por diversos sociais-democratas como Marques Mendes, Santana Lopes, Morais Sarmento e Pacheco Pereira e até por membros próximos de Passos Coelho, ainda que ao abrigo do anonimato, volta a fazer subir a polémica em torno da escolha de Fernando Nobre para cabeça de lista por Lisboa pelo PSD.

Segundo Artur Pereira revelou ao PÚBLICO esta semana, Fernando Nobre tinha sido convidado também pelo PS para integrar as listas socialistas, mas optou pelo convite do PS porque estes, além do cargo de deputado, lhe garantiam também a proposta para presidente da Assembleia da República caso o partido vencesse as eleições de 5 de Junho.

Nobre, que nos últimos dias tem estado no Sri Lanka, ao serviço da Assistência Médica Internacional (AMI) diz ao “Expresso que só aceitou ser cabeça de lista do PSD “com o exclusivo e inequívoco propósito” de ser presidente da Assembleia. Admite que ainda não viu o programa do PSD, mas confia em Pedro Passos Coelho.

Desde domingo - dia em que foi anunciada a sua inclusão nas listas e apresentação como candidato a segunda figura do Estado logo após o fim do congresso do PS - que o assunto é polémico entre as hostes do PSD.

A maioria dos críticos próximos de Passos prefere manter o anonimato. Ou porque não querem fragilizar o combate eleitoral, ou porque preferem esperar pelo Conselho Nacional deste domingo. Mas já há quem tenha questionado a opção. Pacheco Pereira, por exemplo. Durante a pré-campanha para as presidenciais, a 27 de Dezembro, criticara a "postura" de Fernando Nobre no seu blogue Abrupto por lhe adivinhar "uma mistura de vaidade e aproveitamento biográfico sem pudor, populismo e ignorância". Acusou-o de fazer "política do pior". Ao PÚBLICO disse que o retrato que faz de Nobre não mudou: "As minhas opiniões são as mesmas, não deixei de as ter."

Já Marques Mendes, que até não critica a escolha de Nobre para deputado pelo PSD, considerou esta semana “uma fraude” para o partido que escolheu Nobre e para os eleitores que nele votarem se ele abandonar a Assembleia da República se não for eleito presidenta da mesma.

Santana Lopes também não poupou críticas e o PÚBLICO sabe que mesmo no círculo mais íntimo de Passos Coelho no PSD o assunto é polémico.
MC

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